Querida,
Já faz algum tempo que não mando notícias devido a essa vida corrida. Acho que você me entende, não é? Mas hoje te escrevo para lhe manda boas notícias. Tenho andando muito ocupado construindo isso que eu chamo agora de futuro ou de minha vida, coisas desse tipo, que por sinal você sabe o quanto odeio pensar nisso, mas esses dias são diferentes. Lembra daquele emprego, de oito horas diárias? Fui promovido, ainda estão pensando em um nome bacana para o novo cargo, vou ser uma espécie de consultor/conselheiro/staff. Chega de horário para cumprir, rotina, obrigações. Vou ao escritório apenas apresentar novas idéias (Acharam melhor me deixar livre para criar), e pagam quase quatro vezes o que eu recebia. Meus pais até ligaram, ficaram felizes com a notícia, e ainda disseram que sentiam orgulho e saudade de mim (e eu aqui pensando que eles não conheciam essas palavras.) Mas você sabe que isso não é o que me faz feliz. Você sabe que isso dificilmente me faria feliz. Ganhar dinheiro é um desejo tão comum, tão banal. Você sabe o quanto odeio usar gravatas apertadas.
Mas como lhe falei, ando ocupado. Mas não com o emprego, como era antes. Tenho me mantido ocupado com meus amigos, vinhos e poesias. Você não imagina como tenho me divertido (minha alegria só não é maior do que a vontade de te ter aqui). Bebemos para valer na última segunda-feira, era aniversário da Elisa, brindamos até o nascer do sol. Sabe, a bebida que antes era necessária para atravessar aqueles dias nublados, mas agora sinto que mereço brindar à vida.
Tenho me ocupado bastante cuidando da casa também. Plantei um jardim com lírios, como os que você tem tatuados. Minha cabeceira está lotada de livros que quero ler ou reler. "Tempo, tempo, tempo, seja meu amigo". Estou aprendendo a cozinhar, e quem sabe eu possa preparar um jantar para nós dois.
Mas não é só isso. Elisa está comigo e tem me feito bem. A propósito, acho não falei sobre ela. Pois então, ela é chilena e linda (isso mesmo, como Neruda, e ainda o ama tanto quanto eu), está terminando o mestrado, por isso a ausência dela naqueles dias. Nós conhecemos (história muito clichê, acho que posso pular essa parte).O que importa é que síndrome de lobosolitárioquesobeacolinaparauivaratémorrer parece ter acabado. Quem diria heim... eu até uso um colar com o nome dela. (é, eu me tornei clichê).
Mas não é só isso. Elisa está comigo e tem me feito bem. A propósito, acho não falei sobre ela. Pois então, ela é chilena e linda (isso mesmo, como Neruda, e ainda o ama tanto quanto eu), está terminando o mestrado, por isso a ausência dela naqueles dias. Nós conhecemos (história muito clichê, acho que posso pular essa parte).O que importa é que síndrome de lobosolitárioquesobeacolinaparauivaratémorrer parece ter acabado. Quem diria heim... eu até uso um colar com o nome dela. (é, eu me tornei clichê).
"Ela me faz mais feliz do que eu sou."
Mas talvez o que está me consumindo mais tempo são os contos. A idéia finalmente chegou, e o livro está fluindo como nunca imaginei. Vou te mandar manda um cópia assim que terminar (talvez até antes, a ansiedade está dificil de ser controlada.
As canções são todas alegres agora. Tudo parece tão simples e claro, finalmente parece que o sentido foi encontrado.
Mas sabe querida, que vezenquando vem aquela vontade medonha de acabar tudo aqui, mas logo acontece algo bom, ouço uma risada, ganho abraço, sorrio, esqueço e decido ficar um pouco mais. Pela primeira vez tenho sido movido pelo amor que brota no meu peito, e queria muito compartilhar essa felicidade contigo.
Mande-me notíticias assim que puder.
Diga a Lola que sinto uma saudade sem fim.
Com amor,
Raphael
